quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CORRIDA SAGRADA 2018









Voltei a correr – por José Amâncio

Com as bênçãos do Senhor do Bonfim, depois de nove meses afastado das pistas, por conta do tratamento do câncer de boca que me atingiu, voltei a participar de uma corrida oficial, na semana passada, a tradicional Corrida Sagrada, em Salvador (BA), da qual venho participando sucessivamente desde o ano de 2010.
Ainda não estou totalmente restabelecido do tratamento ao qual me submeti, tendo feito 33 sessões de radioterapia e 5 de quimioterapia. Foram 46 dias de sofrimento e dor pois, sendo na boca, fiquei praticamente impossibilitado de me alimentar, em virtude dos ferimentos na região.
No entanto, com muita fé em Deus e em Todas as Nossas Senhoras, consegui atravessar o período crítico, sem muito me abater e, após 60 dias do término da aplicação dos medicamentos, fiz o exame apropriado (PET/CT) e foi constatado que o tumor foi debelado!
Durante a fase difícil à qual me referi, como a amiga Lucyana Hoisel estava fazendo os 800 km do Caminho de Santiago de Compostela, comemorando seu 50º aniversário, me ocorreu de fazer também o percurso na imaginação! Assim, para cada sessão de radioterapia eu considerava um trecho de uma cidade a outra, de acordo com os pernoites que ela fazia e postava no Instagram. Com isso, a dureza do tratamento foi amenizada. Em minha imaginação, comecei na cidade de Estela, distante 648 Km de Santiago. Foram 46 dias, de 09/05 a 23/06/2017, quando “cheguei” em Santiago!
Essa fase, em que pese o sofrimento físico, não foi a mais difícil e sim, os 60 dias seguintes, que fiquei esperando para fazer o exame para constatar se o tumor tinha sido extinto! É uma espera sofrida demais, pois o medo de o tratamento não ter sido eficaz é terrível! Mas, mesmo com o resultado satisfatório, o sofrimento não terminou! Veio a fase de recuperação, com muita dificuldade para me alimentar, em virtude da falta de saliva, boca seca e amarga, enjoos e também falta de paladar!
Os incômodos já melhoram consideravelmente, mas ainda estão presentes, de modo que correr se torna desconfortável e tenho que alternar com caminhada para poder molhar a boca e produzir saliva.
Além dos agradecimentos a Deus, Todas as Nossas Senhoras e Santa Rita de Cássia, agradeço o apoio incondicional de minha família, especialmente minha esposa Graciene Amâncio e ainda a minha fiel empregada doméstica, Marleide Conceição dos Santos, que se encarregou o tempo todo de preparar minha alimentação.
Não posso deixar de agradecer ao Dr André Leonardo, cirurgião de Cabeça e Pescoço, Dra Eni Devay, oncologist,a e Dra Patrícia Lambert, dentista que se encarregou de fazer as aplicações de laser, após cada sessão de radioterapia, o que possibilitou que minha boca ficasse menos ferida e a todos que de uma forma ou de outra me ajudaram nos momentos difíceis!
O tratamento do câncer é um horror, mas não tem jeito! Uma vez diagnosticado, não há alternativa! No meu caso os médicos me apresentaram duas opções: 1) cirurgia de grande porte, com alta morbidade e muitos dias na UTI; 2) radioterapia e quimioterapia, com extrema agressão na boca, prevendo enorme dificuldade para introduzir alimentos e inclusive possibilidade de ter de usar alimentação por sonda!
Eu perguntei aos médicos se alguém já tinha resistido a esse tratamento e, diante da resposta positiva, optei pelo mesmo. Então, eles me alertaram que não dependia deles, de minha família, de meus amigos, de ninguém, mas sim de mim, de meu esforço e que eu aparentava ter boa saúde, mas não podia esquecer que órgãos vitais (coração, rins, fígado, pâncreas, etc) tinham 73 anos!
Estou bem, à vista do que já estive e tenho fé absoluta de que vou ficar completamente curado. Para essa corrida treinei regularmente e planejava fazer os 6,8 Km em no máximo 60 minutos (fiz em 56 min) alternando corrida e caminhada! No entanto, me senti bem e consegui fazer mais de 80% da prova trotando. A primeira parada foi no posto de hidratação, no 4 km. Muito importante para esse desempenho foi a companhia de alguns amigos, especialmente o casal companheiro de treinos Ismael e Eliana, que me acompanharam o tempo todo. O ponto alto foi a subida da ladeira existente antes de chegar à Colina Sagrada (foto) quando vários amigos se postaram ao meu lado, gritando o meu nome! Foi emocionante!
A vida é assim: estamos bem, mas quando menos esperamos acontece uma tragédia. O importante é não se desesperar, acreditar na providência divina e lutar muito!

Até breve…
Matéria veiculada em meu blog CORRER NÃO TEM IDADE no http://www.jornalcorrida.com.br/runbrasil/2018/01/voltei-a-correr-por-jose-amancio/
edição de de 15 de janeiro de 2018. 

Esta foi minha 76ª Corrida Oficial, na qual conquistei a 81ª medalha. Pelos motivos expostos no texto acima não fiz um tempo compatível com minhas participações nos anos anteriores, quando chequei a fazer em menos de 40 minutos. Resultado oficial abaixo. 
654º 529 JOSÉ AMÂNCIO NETO M VETERANO 70 12 SPORT RUN CLUB 00:58:30 00:57:34 08:36 6,97.
"A Corrida Sagrada é uma das provas mais procuradas pelos corredores baianos e já virou uma tradição a participação muitos adeptos da corrida de rua, que reiniciam suas atividades nas corridas nesse dia.
A prova é realizada momentos antes do início da festa da famosa Lavagem do Bonfim que se inicia em frente à Igreja da Conceição da Praia. 
O percurso é o mesmo da caminhada da Lavagem do Bonfim, saindo em frente à Igreja da Conceição da Praia, seguindo pelas ruas do Comércio e da Cidade Baixa, chegando em frente à Igreja do Bonfim, na Colina Sagrada, totalizando cerca de 6,8km".
"O ponto marcante da prova é o excelente clima festivo entre os participantes, amantes da corrida de rua e outros corredores que se reencontram na manhã do dia da corrida, após as festividades do final de cada ano".
Um pouco de história:
Tradição mantida há mais de dois séculos, a Lavagem do Bonfim, que foi tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Imaterial Nacional, é marcada pela forte presença do sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé. Devotos do Senhor Bom Jesus do Bonfim e Oxalá se reúnem para festejar, prestar homenagens e pagar promessas no cortejo em direção à Colina Sagrada. Além do contexto religioso, a Lavagem do Bonfim também é caracterizada pela grande festa que acompanha e circunda o trajeto de fé.

Até o ano de 2008 em participava da festa da Lavagem do Bonfim e fazia o percurso caminhando, mas para "beber todas", do que propriamente por devoção. Nem sabia que havia uma corrida!

Minha primeira participação na Lavagem foi no ano de 1994, pois acabara de me aposentar como funcionário do Banco do Nordeste e já podia "farrear" num dia que não era feriado bancário.


Em 2009, foi a primeira vez que participei sem ingerir uma gota sequer de álcool, considerando que havia parado de beber exatamente no dia 11/10/2008.

Estava há apenas 3 meses sem beber e essa foi, por assim dizer, "minha prova de fogo", pois fiquei  até o final da tarde, bebendo só refrigerante "H2o".

Foi, não tenho a menor dúvida, a ajuda do Senhor do Bonfim que me deu forças para me mantar sóbrio e abandonar o vício. No ano de 2010 participei de minha primeira Corrida Sagrada.

Por se tratar de uma corrida muito especial para mim, pois foi neste circuito que estreei no mundo oficial de corridas de rua, faço questão de me apresentar “à caráter”, ou seja, vestido totalmente de branco.

Registros do evento
Querido amigo Antônio Fraga (Fraguinha)
Antônio Fraga e Dart Andrade
Fazendo meus agradecimentos ao Senhor do Bonfim
81ª medalha conquistada
Amarrando uma fitinha do Senhor do Bonfim e fazendo três pedidos. 
Queridos amigos, irmãos Bernardo e Cissa
Josué Porto, amigo que gentilmente fez a maioria destas fotos. 
Querido casal Ismael e Eliana, que treinaram comigo durante e preparação e me acompanharam do começo do fim no dia da corrida. 
Amigo Zé Ramos (Raminho)

Amigos os "Assombrados"! 
Subindo a colina ladeados por amigos gritando o meu nome
Amiga Júlia Souza. 


Amigo Jaime Ribeiro 
Casal amigo, colega do BNB Camila e seu esposo Cleber
Amigo Everaldo Pereira e Hector.

Amigos José Arnaldo e Nelson Trindade.

Eliana, Jorge, Manoel, Tales, Everaldo e Antônio (agachado)
Manoel, Valdir Landulfo e Antônio Fraga.




Recebendo um caloroso abraço da amiga Luzia
Bené, Luzia e Antônio  Fraga. 
Vamos q vamos...
Vamos q vamos....
Vamos q vamos...
Recebendo um abraço carinhoso da amiga Dart Andrade.



Momento mágico e inesquecível! subindo a Colina Sagrada ao lado de amigos gritando o meu nome! 
Alegria contagiante da amiga Dart Andrade. 

Até breve.....

sábado, 29 de abril de 2017

IRONIAS DA VIDA



Ontem, 28/04/2017, foi um dia completamente atípico para mim! De um lado, recebi  centenas de cumprimentos pela transcurso de meu aniversário natalício de 73 anos, enaltecendo minha saúde, mantida através da prática regular de atividades físicas, gosto que adquiri após completar 65 anos, sobretudo a corrida de rua, esporte pelo qual me apaixonei há cerca de oito anos.

Por outro lado, no entanto, a história foi completamente diferente. Foi confirmado o diagnóstico de que sou portador de um Câncer de boca, localizado na base da língua, cujo tratamento é difícil, tanto por cirurgia como por radioterapia/quimioterapia.

Há oito anos, quando escrevi meu primeiro texto, ao qual dei o título "Eu Consegui Parar de Beber!, eu enalteci meu esforço para parar com a bebida, da qual fiz uso por quase 50 anos, mas esqueci o maior vilão, o cigarro, do qual também fiz uso por mais de 40 anos (parei há 12 anos). Em alguns trechos de  meus escritos eu cheguei a dizer que meu hábito era: bebia para fumar e fumava para beber. O cigarro veio cobrar a conta.

Ai estou eu! Essa alegria que adquiri com a prática de corrida de rua, estampada nas fotos acima, eu vou "brigar" por mantê-la! Assim como na prática de atividades físicas, que se a pessoa não quiser realmente não consegue fazer, bem assim é o tratamento que vou me submeter nos próximos dias: se eu não me esforçar, não aguentar o sofrimento, perseverar, lutar, etc. não adianta o esforço da família, dos amigos, dos médicos!  Enfim, depende muito de mim e eu vou lutar... Será minha primeira maratona. Cada dia de tratamento, será como um km percorrido. São 33 dias úteis que terei de superar para atingir e cruzar a linha de chegada! 

Assim, o que peço aos amigos, sobretudo colegas do BNB, com os quais convivi a maior parte de minha vida: aos amigos corredores de rua, que conheço pessoalmente ou não: e a todos que de uma forma ou de outra desejam o meu restabelecimento, REZEM POR MIM! para me dar força! Sou católico e Devoto da Mãe Aparecida, do Senhor do Bonfim, de Nossa Senhora de Fátima, de Santa Rita de Cássia e todos os santos que me protegem. Neste momento preciso de orações!!!

Muito obrigado a todos. 




sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ONDE CORRER EM SALVADOR


Barra
Av. Magalhães Neto
 Boca do Rio (antiga sede do Bahia)
Praia do Sesc
Praia de Plakaford

NÃO É TODO corredor que gosta de treinar, mas não tem jeito. Treinar é preciso! Eu sou um corredor da terceira idade e posso assegurar que o progresso que obtive com relação à prática de corrida nos últimos sete anos foi consequência de muito treinamento.

Naturalmente não é muito comum uma pessoa começar a correr após completar 65 anos, como foi o meu caso, mas com vontade, disciplina e, sobretudo, treinamento, é possível chegar aonde cheguei, ou seja, fazer um sub -60 nos 10 km e correr sete Meias Maratonas.

A cidade de Salvador, onde moro, oferece várias possibilidades para quem adotou a corrida de rua como forma de melhorar a saúde e gosta de treinar e,
afora outros locais que não conheço, mas que certamente existem, a partir da Praia do Porto da Barra e até a Praia de Stella Maris, são 30 km de orla em ótimas/boas/regulares, condições para treinar, seja nas pistas, nos calçadões ou na areia.

Começando no Porto da Barra, o corredor encontra um calçadão novo, de ótima qualidade, compartilhado com uma ciclovia que se estende até Ondina, numa extensão de 3,5 km.

Barra
Barra

Depois de Ondina, vem o Rio Vermelho totalmente requalificado, que oferece uma bela pista de corrida/ciclovia, numa extensão de quase dois quilômetros.


Rio Vermelho

Na Praia de Amaralina, o corredor encontra um calçadão seminovo, de mediana qualidade, compartilhado com uma ciclovia que se estende até o Jardim dos Namorados, passando pelo charmoso bairro da Pituba, numa extensão de 4 km.

Calçadão de Amaralina

Jardim dos Namorados

Logo em seguida vem o Jardim de Alá, que no momento está sendo requalificado, mas o trecho de 1,5 km até o Aeroclube, na praia de Armação, já está pronto e ficou maravilhoso. 
Praia de Armação
Praia de Armação

O piso da pista no percurso Aeroclube até Piatã, numa extensão de 8,5 km, não é muito bom, pois surgiu da transformação do antigo calçadão, que era revestido de pedra portuguesa e deu lugar a uma pista compartilhada com uma ciclovia. É também um pouco estreito e tem algumas incorreções. Mas só o fato de ficar inteiramente à beira mar, sem prédios do outro lado, transforma a área em um local extremamente agradável para correr. Além disso, passa pelas belíssimas praias de  Boca do Rio, Corsário, Patamares e  Jaguaribe. Sua requalificação já está programada pela Prefeitura.

Chegando em Piatã o corredor vai encontrar uma pista maravilhosa, larga que  se estende até Itapoã, numa extensão de 2 km, passando pela de Plakaford.
Piatã
Piatã
Itapoã
Tem ainda a opção da nova avenida Orlando Gomes, que vai da orla até a avenida Paralela, com 3,5 km, que oferece ótimas condições, inclusive para a prática do ciclismo. 

Av. Orlando Gomes
Av. Orlando gomes
Av. Orlando Gomes

Igualmente, tem ainda as Avenidas Pinto de Aguiar e Magalhães Neto, sendo que esta é fechada aos domingos para a prática de vários esportes, se tornando num point para encontro de corredores, ciclistas, etc.

Av. Pinto de Aguiar
 Av. Magalhães Neto
Av. Magalhães Neto
Av. Magalhães Neto

Mas não é somente na orla. A imponente Praça do Campo Grande, com suas árvores frondosas e seculares, oferece um calçadão muito largo e com quase 1 km de extensão, ideal tanto para caminhadas, como para corrida.

Campo Grande

dique do Tororó é outro local ótimo, cujo calçadão em volta do lago tem aproximadamente  2,6 km.  Os canteiros centrais das avenidas Centenário, Bonocô e Paralela, são também muito bons, sem esquecer o Centro Administrativo.

Dique do Tororó (acima e abaixo)
 Av. Centenário
Av. Centenário
 Av. Bonocô

Av. Paralela, que no momento está indisponível, face as obras do Metrô, mas que depois da pronta, certamente será uma boa opção.
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Centro Administrativo

O Parque da Cidade, completamente reformado, com pistas que chegam aos 5 km em diversas direções, ficou uma ótima opção.

Parque da cidade
Parque da cidade
Parque da Cidade

As praças do Imbuí, dos Eucaliptos, do loteamento Aquários e Ana Lúcia Magalhães são outras opções excelentes, onde inclusive as assessorias esportivas fazem ponto todos os dias da semana, tanto pela manhã quanto a noite.


Imbuí
Praça dos Eucaliptos
Praça dos Eucaliptos
Pça do Lot Aquários
Praça Ana Lúcia Magalhães

Há também o majestoso Parque de Pituaçu, cuja volta completa dá exatos 15 km, ideal para se treinar longões. No momento o mesmo está sendo requalificado, mas pode ser usado.  

Parque do Pituaçu (acima e abaixo)



As Dunas, na Praia de Stella Maris, com suas areias branquinhas, fininhas e cristalinas,  oferecem condições ideais para treino de força, o que pode ser feito também nas areias fofas da praia de Armação.

Dunas (acima e abaixo)


Outro local bom para treino de força, é o Terminal de Cargas do Aeroporto (TECA), com uma pista de 5 km, em estrada com pouco trânsito.

Por fim, vale citar a nova orla da Ribeira, completamente requalificada, assim como a Av. Suburbuna, com seus quase 14 km de extensão, que pode servir de opção, para corredores que treinam antes do dia amanhecer, face o trânsito intenso no local.  

 Ribeira (acima e abaixo)

 Av. Suburbana (acima e abaixo), mostrando no primeiro plano o Prefeito ACM Neto, responsável por todas as transformações que foram feitas na cidade nos últimos 04 anos. Parabéns Prefeito!


Essas dicas valem para corredores de todo o Brasil, pois quem corre tem que ser disciplinado e não pode se limitar a treinar somente na cidade onde mora. Tem que treinar onde estiver para não perder o condicionamento. Assim, o tênis e todos os demais apetrechos (frequencímetro, meia, bermuda térmica, short, camiseta, som, cinto de hidratação, etc.) se tornam itens indispensáveis nas bagagens de viagens de qualquer amante da corrida.

 Para mim não basta gostar de correr! Tem que treinar!

Até breve…